Gisele Bündchen ou Naomi Campbell?

Uma visão inusitada, para ser colocada por norte-americanos, sobre as brasileiras surgiu no The New York Times através da viagem de Alisson Chornak, um caça talentos, ao Brasil que tinha como objetivo encontrar a “Nova Gisele”. A discussão que aparece no jornal gira em torno do motivo pelo qual o Brasil exporta modelos como Gisele e não como Naomi Campbell.

Um país com tanta diversidade e misturas inusitadas como o Brasil, coloca nas passarelas dos eventos mais importantes de moda mulheres brancas e de olhos claros, enquanto os brasileiros gostam de ver Thaís Araújo, Juliana Paes e Camila Pitanga na TV. As modelos que o Brasil mostra fora do país são como as encontradas nos países Europeus, não deixam claro uma identidade brasileira, um diferencial que com certeza existe nas mulheres brasileiras.
 
Apesar de ter sido estipulado pelo Ministério Público que ao menos 10 por cento das modelos do São Paulo Fashion Week deveriam ser de descendência negra ou indígena, mais de 70 por cento das modelos vêm dos três estados do sul do país, onde a colonização alemã e italiana é mais forte e as mulheres tem traços europeus. Mas, como Erika Palomino deixou claro, não é por falta de negras bonitas, que o Brasil tem de sobra, é mesmo por algum tipo de preconceito e padrão das passarelas.
 
O Fashion Rio foi aberto com o desfile de Walter Rodrigues, no qual todas suas modelos eram negras, mas a idéia de encontrar aqui mulheres que mostrem apenas uma mistura entre europeus continua forte. Ao ver as passarelas do exterior os caça-talentos vão atrás de modelos semelhantes no Brasil.
 
Se no exterior essa questão existe e é como se eles pedissem para o país encontrar modelos diferentes do que se encontra na Europa, por que os desfiles brasileiros continuam com uma visão tão comum? A mudança deve começar das passarelas nacionais, para o Brasil possa mostrar o que tem de melhor para os desfiles do mundo.

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